RAP.DA

reforma e design de interiores | apartamento pequeno | São Paulo | 2020
Não se deve chamar um apartamento de oitenta metros quadrados de pequeno, porém, quando boa parte da sua área útil está destinada ao terraço as chances dos dormitórios e sala serem menores do que deveriam são grandes. Para readequar os ambientes de acordo com seus gostos e necessidades os proprietários já sabiam exatamente o que seria demolido e o que permaneceria de pé. A integração do terraço à sala e desta com cozinha eram escolhas óbvias assim como demolir o segundo dormitório para ampliar a área social. A divisória restante (que delimitava a suite) foi deslocada ampliando o cômodo o suficiente para que ficasse mais confortável e não prejudicasse a sala de estar. Com a arquitetura resolvida passaríamos a tratar das partes não óbvias e de harmonizar as inúmeras referências trazidas pelos clientes. O resultado? Não existe um canto neste apartamento que não tenha ao menos um detalhe merecedor de atenção e mesmo com tantas texturas e cores diferentes o resultado ficou harmonioso e nenhum elemento deixa de ter seu protagonismo. 
Além de ser azul (e o tom foi definido pela cor do mdf escolhido) o segundo pedido dos clientes para a cozinha era que a bancada fosse uma peça só até a lavanderia. Deste modo, sem a divisão dos ambientes, o espaço ficou realmente maior (visualmente falando), porém, a impressão de ampliação do espaço não foi suficiente para conseguir locar todos os equipamentos solicitados. Deve-se dizer que o projeto deslanchou quando decidiu-se colocar a geladeira num lugar não obvio: ao invés da marcenaria azul ser o coração do apartamento este papel foi dado ao cubo madeirado localizado (literalmente) no centro da área social. Este cubo passou a organizar todos os demais espaços mesmo em um apartamento com todos os ambientes integrados. Ele armazena a geladeira, disfarça a área de serviço de quem esta nas salas mas não indo até o forro passa uma sensação de leveza e cria mais área de exposição e armazenamento na parte superior. Disfarçadas pelos sulcos na marcenaria estão as portas de um depósito de material de limpeza (lado cozinha) e armário (lado sala). Ainda define o local da mesa de jantar e da estrutura pendente (outro desejo dos clientes) que cria uma divisão da sala com cozinha sem acabar com a integração visual. Mas não é apenas o cubo madeirado que guarda surpresas: homogeneizado pela cor o mobiliário azul que se vê logo ao entrar no apartamento funciona como chapelaria, bar, cristaleira e armazena a mini adega e geladeira de cervejas. Um detalhe que precisa ser mencionado é que apesar da escolha da cor azul ser anterior ao início do projeto a decisão de estendê-la para parte do forro (como que transbordando da marcenaria) surgiu muito posteriormente e com a obra já em curso. E foi justamente este conceito aplicado na área social que definiu os parâmetros para conceituar o banheiros social que também foi motivo de muita divagação. Mais uma vez fica claro como arquitetura não deve nem pode ser pensada apenas na frente de um computador pois as melhores ideias surgem observando o ambiente e sentindo o que ele pode te oferecer. Outro ensinamento: o segredo para se ter muitas coisas num mesmo lugar não é simplesmente diminuindo o tamanho delas mas sim ampliando as funções de um único elemento.